sábado, 30 de janeiro de 2016

Cavaleiro da Noite

Capítulo V


      Edward a abraçou pela cintura e beijou-a na face, como tantas vezes nos últimos dias, desde que a carregara para o quarto e se deitara sobre ela. Num impulso, ele beijou a veia no delicado pescoço de Isabella, resistindo ao desejo de provar o sabor do quido vital que ali corria. Edward a cortejava sem tréguas, e não hesitava em acariciá-la, despertando o desejo em ambos. Cada vez mais ele desejava possuí-la, estar dentro dela, e sua mente alimentava fantasias nas quais Isabella jazia nua sobre o leito e abria os braços para recebê-lo.


     Isabella ronronou com suavidade quando ele lhe beijou o lóbulo da orelha. Era estranho que produzisse tal som, mas ela sempre o fazia ao ser acariciada; e este ronronar, como o de um gato, o excitava ainda mais.


     Um ruído próximo, contudo, despertou sua atenção e o fez emergir do encantamento. Surpreso, Edward percebeu que havia erguido Isabella do chão, comprimindo-a contra a parede; ela não parecia ter notado, decerto presa do mesmo encantamento que ele. Baixou-a com delicadeza e olhou ao redor para descobrir a origem do ruído, mas o havia ningm por perto.


     Eles estavam num dos compridos corredores do castelo, e apesar de o enxergar viva alma, seu instinto lhe dizia que alguém os observava há pouco. Será que os sangue-puro os espreitavam? Nada mais se passara depois da discussão com Aro e Tanya, mas sem vida os sangue-puro de seu clã ainda se opunham ao casamento.


   -    Já es pronta para dizer sim? - perguntou, notando com prazer que Isabella lutava para recuperar a compostura e se libertar do desejo que as carícias lhe causavam.

    -   Você é um homem obstinado! - ela sentiu o coração acelerar.

 
   -   Sou - concordou Edward com um sorriso, antes de beijá-la suavemente nos lábios. - Mas receio que terei de continuar minha sedução mais tarde - então a soltou, e desapareceu pelo corredor.


    Isabella suspirou fundo, buscando acalmar a respiração, que sempre se alterava quando Edward a tocava. Ainda que não gostasse, os carinhos do lorde despertavam seu desejo, e ela se sentia madura e pronta para amar com paixão. Tocou o pescoço para assegurar-se de que ele não a ferira com seus dentes afiados, embora já não tivesse mais nenhum receio de que Edward a machucasse.

   O sol brilhava, e ela resolveu sair para respirar ar fresco. Como de costume, o havia sinal dos Cullen no pátio e entre as vielas onde moravam os Clearwater, e a gente de Victoria seguia suas tarefas cuidando dos animais e da manutenção da propriedade. Isabella se sentia protegida entre os vassalos, pois os últimos dias lhe deram oportunidade de comprovar que eram muito leais ao lorde de Cambrun.


-   O dia está agradável - disse Victoria, aproximando-se ao avistá-la.


-   Sempre diz isso! - Isabella sorriu.


            -   Não gosto dos dias frios do inverno. A chuva e o tempo cinza não me incomodam, mas o aprecio as baixas temperaturas.


         -   Não crianças aqui? - perguntou Isabella, fitando os outros Clearwater, que seguiam trabalhando. - Edward mencionou algo a respeito dos Cullen não terem herdeiros jovens, mas nunca vi crianças mesmo entre os vassalos.


         -    A senhorita tem razão, o temos crianças. Meu filho Seth foi o último a nascer no castelo há vinte anos. Talvez a senhorita o conheça, é o rapaz que toma conta do esbulo. Quanto ao c do lorde, faz muito mais tempo que não são brindados com herdeiros.

         
           -   É mesmo? Pensei que Jasper também tivesse por volta de vinte anos - Isabella notou que seu comentário incomodava Victoria. - Qual a idade de Jasper Cullen?


           -   Não sei ao certo - Victoria hesitou um instante. - o me recordo de quando ele nasceu, e não penso sobre tais assuntos. De qualquer forma, de que interessa saber a idade deles? O importante é que continuam fortes e possuem uma saúde de ferro.


       -   Creio que tem razão, mas o fato é que eu gostaria de ter filhos - disse Isabella, corando levemente.

     
         -  Não se preocupe, estou certa que meu senhor poderá fazê-la mãe de uma grande família. Quanto a nós, tanto os Cullen como os Clearwater seguimos nosso destino de adultos sem prole. Meu filho Seth já tem idade para casar, mas as jovens que habitam o feudo são parentes próximos demais para contraírem matrimônio; e como nunca saímos daqui, permanecemos solteiros. Entretanto, sei que nosso lorde será capaz de trazer sangue novo para o clã.


      -    Então está segura de que Edward é um homem que pode gerar filhos? - perguntou Isabella, pensando que seria melhor se os habitantes do castelo usassem a palavra "sangue" com menos frequência.


     -      Pensei que a senhorita já tivesse certeza disso, pois têm estado tão juntos ultimamente... - o olhar maroto que Victoria dirigiu a Isabella a fez corar. - Agora, se me desculpa, devo continuar meus afazeres - disse ela, sorrindo com tamanha simpatia que era impossível deixar de reconhecer que aquela mulher era sua amiga.


    Victoria se afastou, e Isabella resolveu passear entre as vielas dentro da propriedade murada dos Cullen.


    Resolveu entrar no estábulo, e deparou-se com a mesma eterna escuridão dos recintos fechados do castelo. Os cavalos estavam bem cuidados, e o feno com o qual se alimentavam era fresco e de boa qualidade. Mesmo assim, parecia cruel manter os animais mergulhados numa noite permanente. O estábulo era imenso e tinha muitas janelas, todas fechadas. Ela seguiu adiante, aprofundando-se cada vez mais na grande e escura constrão de madeira, mas de repente teve a sensação de que algm a seguia. Olhou em volta, e não viu ningm. De súbito, uma voz sibilante soou:


              -    O que faz aqui? - disse Tanya, aparecendo repentinamente a seu lado. Ela carregava uma lamparina a óleo nas os, e a luz do fogo produzia sombras em sua face, dando-lhe uma aparência sinistra.


-   Não estou perturbando os animais - Isabella esforçava-se para não demonstrar medo.


             -    Não se faça de tola, pois sabe o que quero dizer. Por que ainda não foi embora de Cambrun? Já devia ter partido muito tempo.


-   Seu lorde prefere que eu permaneça.


-   Sim, para ajudá-lo em seu plano vil de destruir nosso clã.


-   Pelo que sei, o plano de lorde Edward Cullen é salvar o clã, não destruí-lo.


           -   Não necessitamos ser salvos. - Tanya aproximou-se ainda mais. - A idéia de que casar com uma mortal vai nos salvar é absurda. Edward devia se unir a quem é como ele. Ele devia renegar o pouco sangue mortal que lhe corre nas veias e unir-se a uma de nós, para garantir a pureza dos Cullen... Uma mulher que o faça voltar às verdadeiras origens!


             -   E esta mulher é você, suponho - replicou Isabella em desafio. - Ele já o teria feito se assim desejasse.


            -    Se você o estivesse por perto, ele já teria percebido que é loucura insistir em tal plano, e teria se interessado por mim.


-   Lorde Edward deseja ter herdeiros, e há uma grande chance de você não lhe dar filhos.


-   Por que precisaríamos de filhos? Crianças são seres sujos e impertinentes.


-   O clã desaparecerá se não for capaz de gerar novos seres.


          -    O que é que você sabe a respeito do passar do tempo e de nossa vida? Ainda temos inconveis anos pela frente antes de enfrentarmos o perigo de desaparecer! Mais anos do que você poderia supor em sua estúpida existência mortal. Edward tem medo de morrer; é esta a herança infame que o sangue de sua mãe tamm mortal lhe passou, e ele não consegue admitir a idéia de que já estará reduzido a pó na sepultura enquanto nós, os verdadeiros Cullen, continuaremos habitando  o castelo. Você nada sabe a nosso respeito e o percebe que desaparecer não faz parte do nosso destino.


            Aos poucos. Isabella abandonara a idéia de que os Cullen eram mortos-vivos, mas as palavras de Tanya outra vez levantaram suas suspeitas. Por que aquela mulher se referia a pessoas comuns com tanto desprezo, como se morrer fosse uma maldição? Fala assim para me atemorizar, pensou. Os Cullen eram tão vivos quanto ela! Talvez tivessem uma natureza diferente, mas não eram cadáveres ambulantes. Entretanto, as palavras evasivas de Victoria quando ela lhe perguntou a idade de Jasper lhe voltaram à mente, e suas incertezas retornaram.


            -   Está dizendo que os Cullen vivem muitos anos? - Tanya soltou uma gargalhada sinistra e desagradável.


-   Vivemos mais do que você imagina, e somos superiores aos mortais em muitas maneiras!


-   Incluindo a vaidade, me parece.


            -   Temos o direito à vaidade, pois não precisamos de gente como você! E não nada que o possamos fazer melhor que os mortais.


-   Tem certeza? Por que o me acompanha para fora então, e se expõe à luz do sol?


            Isabella recuou quando Tanya saltou de repente em sua direção, mas em vez do ataque que esperava sofrer, sua visão foi bloqueada pela aparão de uma figura alta e vigorosa; e no instante seguinte Tanya voou para longe, como se atirada por uma força tremenda, e caiu no chão. A esguia mulher levantou praguejando e limpando a comprida saia negra que usava.


-   Não pretendia matar esta tola, Jasper!


          -   Mas poderia -lo feito por estar zangada e descontrolada - ele colocou-se ao lado de Isabella.


-   Ainda estou zangada - afirmou Tanya, passando os dedos entre os cabelos loiros para
retirar gravetos de feno. - O plano de Edward é pura loucura, pois pretende reduzir a pó tudo aquilo que nos torna fortes e superiores. Como pode se aliar a ele?


            -   Sou leal a meu lorde. Além disso, creio que ele tem razão. Estamos morrendo, Tanya. Uma morte que ainda vai demorar muitos e muitos anos, mas que certamente acontecerá. faz quarenta anos que os sangue-puro não geram novos seres.


Quarenta anos? Se o clã dos Cullen o gerava herdeiros tanto tempo, então Jasper devia ter ao menos esta idade, apesar de parecer jovem. Melhor não pensar sobre isso agora, resolveu Isabella.


            -   Você já es apta a ter filhos muito, e apesar da legião de amantes que teve, seu ventre jamais gerou uma criança - o tom de Jasper era de escárnio. - O pai de Edward o gerou mais que um filho em sua esposa mortal, e os Clearwater, nossos vassalos, sofrem do mesmo mal. Nosso clã está desaparecendo, Tanya. Os casamentos entre membros do mesmo sangue durante tantos anos nos enfraqueceram, e tudo que conseguimos perpetuar foram as tradições e costumes de nossos ancestrais. Nós nos transformamos numa família de mulheres estéreis e homens de semente fraca. Isto é a morte, Tanya, nossa morte. Ela pode demorar a chegar, mas se aproxima de modo inexorável.


           -   Melhor morrer do que nos tornarmos fracos como os mortais! - foram as palavras de Tanya antes de desaparecer de repente, como fumaça no ar.
          
          -   Ela sumiu - murmurou Isabella, estupefata e sentindo-se tola ao afirmar o óbvio.

       
         -   Há túneis conectando o esbulo com outras partes do castelo - Jasper a fitou por um instante. - Você está causando muitos problemas, o é?

        
        -   Eu? Ora, só saí para caminhar um pouco e resolvi conhecer o estábulo, nada mais. Foi Tanya quem criou problemas, pois deseja Edward, creio.


      -    Sim, ela o deseja, apesar da metade mortal de Edward a enojar. Tanya quer ser a senhora de Cambrun, mas nosso lorde jamais confiou nela. O desprezo que sente pela mãe mortal de meu primo também o a ajudou a conquistar sua confiança. Edward o deseja casar com uma mulher Cullen, pois quer ter filhos.
    
      -   Sou mais do que um útero para gerar herdeiros! Sou uma mulher adulta e completa.

   
    -   Quanto a issoo há dúvidas, a julgar pelos sentimentos e sensações que desperta em meu lorde. Mas ser capaz de dar à luz é uma nção, e você o deve se sentir insultada por estar apta a gerar novos membros para nosso clã.

 
    -   É bom poder ser mãe, mas uma mulher merece mais do esposo do que apenas ser a mãe de seus filhos.

  
   -    Você não necessita alimentar inseguranças, Isabella, se me permite chamá-la assim. Meu primo é um monge quando comparado aos outros homens da família, e jamais lhe será infiel. Na verdade, ele deseja mais do casamento do que somente a oportunidade de gerar herdeiros e garantir a salvação do clã. Conheço meu primo e sei o que digo.

    Jasper falava com sinceridade, mas as dúvidas e incertezas não abandonavam Isabella.

    
   -    Contrair matrimônio o é uma decisão fácil, pois o é só meu destino que está em jogo, mas tamm o de meus filhos. Há tantas coisas que devo considerar... e Edward me pedque decida em uma semana.

    -    Não somos muito diferentes das pessoas normais.

  -   Mas são diferentes!

 
  -    Ser um pouco diferente dos demais o deveria significar problemas para seu clã - respondeu Jasper de forma vaga. - Somos capazes de levar uma vida quase normal, amar e ter filhos. O que contam a nosso respeito são lendas e o a realidade. De qualquer maneira, é Edward quem deve lhe contar nossa história. Agora devo sair daqui - ele sorriu e inclinou levemente o tronco num gesto respeitoso, antes de desaparecer entre as sombras.


   Isabella logo compreendeu a razão de Jasper partir com tanta pressa: as venezianas das janelas foram erguidas pelo lado de fora, e a luz do sol inundou o estábulo. Cansada de tantas conversas e emoções fortes, ela resolveu que era hora de voltar, e em breve já caminhava pelas vielas da propriedade feudal e atravessava o grande pátio onde os Clearwater realizavam as tarefas do dia-a-dia. Pouco depois, adentrava o castelo. Após atravessar os corredores iluminados por velas, deparou com Edward no salão principal. Sentado à grande mesa, ele conversava com Alistair, outro cavaleiro do clã dos Cullen cuja lealdade ao lorde estava acima de suspeitas. Ao lado deles, outros membros do c escutavam a conversa com atenção e respeito.


   Isabella fitou aquele lorde que desejava desposá-la. Sua beleza masculina era tamanha que chegava a lhe provocar um aperto no coração. Edward ergueu a cabeça e sorriu para ela, mas seguiu a conversação com Alistair. Um lorde atraente, rico e nobre como qualquer esposo que ela poderia almejar. Contudo, ele não suportava a luz do sol, possuía dentes afiados como os de um lobo, apreciava comer carne crua... e diversos membros de seu clã habitavam cavernas subterrâneas sob o castelo! Havia motivos de sobra para que se preocupasse, mas mesmo assim já o desejava partir: sentia carinho e ternura demais por aquele homem.

     
    Isabella atravessou o salão caminhando em direção à mesa, e de repente uma certeza se formou em seu coração: ela amava Edward. não podia negar tal sentimento, mesmo que quisesse. Não saberia dizer quando seu coração sucumbira ao lorde de Cambrun.

   -   Você é um homem vivo - murmurou Isabella como para si mesma ao se aproximar.

 
   Surpreso, Edward a fitou, tentando não deixar que a esperança de ser amado inundasse seu coração de forma incontrolável, que talvez causasse futuras desilusões.

 
 -   Sim, minha dama - foi o que disse em tom suave. - E a única pessoa que pode colocar sua alma em risco se decidir ficar a meu lado é você mesma.

  -   Suponho que isso deva me fazer sentir mais calma... - ela postou-se ao lado dele.


  Edward a tomou pela mão e a fez sentar em seu colo. Agora seu rosto exibia um sorriso que o tornava ainda mais bonito.


  -   Decidiu ficar aqui comigo, então? - perguntou ele, sem se importar com a presença de Alistair e dos demais.

  -   Sim! - Isabella sentia-se livre de todas as incertezas.
Ao ouvirem aquilo, os homens soltaram murmúrios de alegria, e alguns a mesmo bateram
palmas.

-   Posso perguntar por que mudou de idéia?


Isabella sorriu com ternura, mas não revelaria o que ia em seu coração enquanto o tivesse certeza de que seus sentimentos eram retribuídos pelo lorde.

-   Porque você beija bem!

-   Obrigado, querida, mas acredito que tamm exista outra razão.

           
             -   Decidi que é melhor aceitá-lo como esposo, já queo há nenhum outro lorde pelo qual eu sinta a mesma inclinação.


         Já é um começo, pensou Edward antes de beijá-la nos lábios com suavidade. Na verdade ele desejava mais, pois queria ser amado. Mas teria paciência. Em breve Isabella Swan se tornaria parte de sua família, ganharia seu nome e lhe entregaria seu corpo, e ele faria o possível e o impossível para também conquistar seu coração e seu amor.


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