sábado, 23 de janeiro de 2016

Cavaleiro da Noite

Capitulo II


-   Você disse que queria uma noiva.

Edward fitou o primo sentado ao pé do imenso leito coberto com peles felpudas. Jasper sorria, e suas roupas escuras ressaltavam a palidez da mão repousando sobre as cobertas. Ele era um homem bonito, mas seu nariz afunilado e as roupas negras o faziam parecer um corvo.

-   Mas não era necessário sequestrarem uma noiva para mim.

-   Não foi um sequestro. Nós a salvamos.

-   A salvaram de qual perigo?

Edward fitou a jovem que o primo trouxera para seu quarto, e que agora jazia desacordada sobre as peles do leito, parecendo uma boneca quebrada. Bastante jovem, ele concluiu estudando os traços finos do rosto de Isabella. E linda, acrescentou em pensamentos. Sua face levemente oval exibia uma pele suave e um delicado nariz encimado por sobrancelhas castanhas e finas, que contrastavam com os cílios longos e escuros. Os lábios carnudos e vermelhos eram tentadores, e seu corpo era esguio, de seios pequenos, mas firmes e robustos. As pernas eram longas. Aquelas formas perfeitas seriam capazes de despertar os sentidos de qualquer homem com sangue nas veias. Sem se conter, Edward se aproximou e tocou os cabelos castanhos de Isabella, o compridos que lhe chegavam ao quadril e brilhavam à luz das velas como se fossem fios de seda.

-    Quem fez isso? - perguntou Edward, notando as marcas no pescoço de Isabella e tocando-as de leve para se certificar de que a pele o fora perfurada.

-   Não importa quem o fez, pois interrompi a tempo. Foi só o desejo momenneo da luxúria


do sangue que alguém não conseguiu evitar, mas eu não permiti que se consumasse.

-   Conte-me o que aconteceu. - Edward estava desconfiado, mas não queria acusar o primo de mentir.

-   Eu a vi correndo montanha acima e me surpreendi com a rapidez e facilidade com que se movimentava entre as árvores. Ela parou pouco depois de onde a floresta termina, e um bando de homens não tardou a aparecer. Sua respiração ofegante demonstrava que eles a haviam perseguido um longo trecho. Então, os outros dos nossos perceberam o que se passava e começaram a se aproximar.

-    Os homens a estavam ameaçando? - quis saber Edward, inclinando-se sobre o corpo inerte de Isabella e desabotoando suas botas de fino couro.

-   Sem dúvida alguma. Eles se aproximaram da jovem devagar, e ela se defendeu atirando pedras; mas de repente virou o rosto para me fitar, como se já houvesse percebido nossa presença. Neste momento os nossos a ultrapassaram e se atiraram sobre os homens. Eles eram ladrões assassinos e a teriam matado se o houvéssemos chegado. Mas nosso clã os derrotou em segundos.

-   Ela presenciou o ataque?

-    Muito pouco, creio, mas o suficiente para desmaiar. Não sei até que ponto ela teve consciência do que ocorria.

-   Aqueles homens mereciam o destino que encontraram?

-    Sim. Seguimos os rastros montanha abaixo, quando tudo terminou, e encontramos os cadáveres de suas vítimas, que haviam sido brutalmente assassinadas. Ao lado dos corpos, uma pilha de armas e roupas saqueadas pelos ladrões. Eu mesmo carreguei a jovem o tempo todo, e depois montanha acima, até nosso castelo. - Jasper sorriu. - Ela o pesa muito.

-   Suponho que não - Edward deu um passo para trás e fitou Isabella, ainda desacordada.
-   A questão é o que faremos agora.

-   Case-se com ela, Edward. Você queria uma noiva mortal, o é? Esta jovem é bonita, e pela maneira como a vi se defender, coragem e resolução não lhe faltam. De qualquer maneira, o seria seguro dei-la partir depois do que pode ter presenciado.

-   Mas não posso casar-me com a primeira mulher que cruza nossos pores. Que sabemos a seu respeito? Talvez já seja casada ou, quem sabe, não me aceitaria.

-   Então não lhe dê a oportunidade de escolher. Afinal, ela não tinha muita escolha quando a encontramos, e estaria morta agora se não a houvéssemos socorrido.

Pensativo, Edward nada respondeu.

-   Estou certo de que ela me viu - continuou Jasper -, mas não sei dizer o que mais poderá ter visto. Creio que se trata de uma dama de sangue nobre, e sua reputação estará arruinada depois de passar uma noite em nosso castelo. Você sabe que não poderemos lhe oferecer uma ama de companhia para conduzi-la na viagem que fazia para onde quer que fosse.

Trata-se de uma jovem bem-nascida. Suas roupas demonstram que pertence a um clã abastado, avaliou Edward. A pele suave corroborava a impressão, tanto quanto as unhas longas e bem cuidadas. Não havia aliança em sua mão, portanto devia ser solteira. O fato de ter sido


trazida para Cambrun mancharia sua reputação, e poderiam insinuar que ela perdera a castidade depois de passar a noite ali. Os rumores sobre seu castelo já eram ruins, e ele não desejava que piorassem ainda mais.

Edward viu-se obrigado a concordar com Jasper: desposá-la resolveria vários problemas, pois manteria a reputação da jovem intacta e ao mesmo tempo lhe proveria a noiva mortal que ele desejava. Caso ela se tornasse parte do clã, então teria certeza de que ela o contaria o que talvez tivesse visto antes de ser capturada.

As vantagens de me casar com ela são inúmeras, mas não haverá também desvantagens, as quais não percebo neste momento?

De repente, Isabella soltou um murmúrio e se moveu sobre o leito, interrompendo os pensamentos de Edward. Em seguida ela abriu os olhos, e a beleza deles o surpreendeu: escuros e de um tom entre o castanho escuro e o preto, seus olhos lhe conferiam uma beleza ainda maior e de alguma forma enigmática.

Isabella hesitou um instante ao fitar Jasper e Edward, mas de repente se encolheu contra a alta cabeceira da cama, agarrando o travesseiro e colocando-o contra o peito. Seu corpo estava tenso agora, e havia algo de felino na maneira como ela curvava os dedos com unhas longas, como garras afiadas e prestes a atacar.

-   Quem são vos? - Isabella lutava para controlar o medo.

-   Sou o lorde Edward Cullen, senhor de Cambrun. Este é meu primo Jasper Cullen - indicou Jasper, sentado próximo ao leito. - Não se preocupe, não lhe faremos mal, senhorita.

Isabella tentou colocar os pensamentos em ordem e avaliar a situação. A voz do estranho era grave e profunda, e soava sincera sua tentativa de acalmá-la. Além do mais, ele demonstrava bons modos. Entretanto, não sabia se poderia confiar neles. Ele a chamara de senhorita e o nome do castelo, Cambrun, não lhe era estranho.

-   Sou a dama Isabella Swan, do castelo Dunsmuir.

-   Para onde a senhorita ia? - perguntou Edward.

-   Viajava para o castelo de minha prima, a dama Jéssica Newton. Como vim parar aqui?

Edward sabia que devia tomar cuidado ao explicar o que ocorrera, pois o seria possível revelar o que realmente acontecera.

Ela parecia mais calma agora, mas mesmo assim Edward resolveu servir-lhe vinho para ganhar tempo antes de proceder às explicações. Ele se afastou, encheu uma taça com vinho tinto e a trouxe para Isabella. Ela aceitou a bebida, mas antes a cheirou, desconfiada. Por fim Isabella sorveu um gole com delicadeza, e então tornou a fitá-los.
-   Eu a carreguei para nosso castelo - explicou Jasper. - A senhorita havia desmaiado. Isabella esforçava-se para se lembrar do que ocorrera. A bebida começava a acalmá-la.
Aqueles homens não pareciam ameaçadores, mas havia no ar algo de estranho.
Necessito de tempo, e o devo responder a todas as perguntas que me façam, decidiu. O lorde que se apresentara como Edward era um homem alto e forte, e a maneira como
caminhara para buscar o vinho mostrava que tinha vigor e estava acostumado a dar ordens. Tinha


cabelos castanhos acobreados e lisos, caindo em suaves ondas até os ombros. Sua face exibia traços viris e angulosos, um nariz elegante e lábios carnudos e atraentes. Seus olhos profundos e dourados possuíam uma beleza difícil de qualificar, e havia uma certa estranheza na cor de sua pele; mas não se tratava de algo doentio. Na verdade, era o homem mais lindo que já conhecera.

O vinho a esquentava agora, e Isabella fitou o senhor apresentado como Jasper. Tamm ele tinha uma beleza estranha: suas roupas negras ressaltavam a alvura da pele, e os olhos quase amarelos de alguma forma a faziam pensar numa ave de rapina. De repente ele sorriu, e isso despertou a memória de Isabella.

-   Me lembro de você - disse ela. - Você surgiu atrás de mim na montanha.

-   Sim, no exato momento em que aqueles infames iam atacá-la.




mente.

-   Os que me perseguiam? - Isabella sentiu uma onda de vagas recordações lhe voltar à



-   Exatamente. Mas não se preocupe, pois seus dias de ladrões assassinos terminaram.

Isabella tomou outro gole de vinho, lembrando-se com mais clareza do que ocorrera e pensando que os facínoras mereciam o destino que encontraram. Com certeza sua escolta não fora a primeira a ser saqueada por tais ladrões, e a justiça os teria condenado ao enforcamento caso houvessem sido capturados.

-   E a escolta que me acompanhava?

-   Infelizmente estão todos mortos.

-   A última recordação que tenho deles me fazia recear isso - disse Isabella, lembrando- se dos corpos ensanguentados sobre o chão. - E quanto a Sue?

-   Sue? - Jasper mostrou-se surpreso. - Havia outra mulher em sua comitiva?

-   Minha dama de companhia viajava comigo, e permaneceu com a escolta quando entrei no bosque para fazer a higiene.

-   Não encontramos o corpo de nenhuma outra mulher - assegurou Jasper. - A senhorita teve sorte em estar na floresta quando os ladrões chegaram. Nós ainda checamos as redondezas em busca de pessoas escondidas, mas o encontramos ningm.

Isabella suspirou, resignada. O que teria acontecido a sua ama?

-   Sua carruagem e pertences foram trazidos para Cambrun - avisou Edward.

-     Obrigada, meu lorde. Seguirei viagem assim que arranjar outra escolta para me acompanhar.

-   Isto não será possível - respondeu Edward.

Aquele comentário a surpreendeu, mas a surpresa logo deu lugar à irritação. Ela estava grata por lhe terem salvo a vida, mas isso não lhes dava o direito de decidirem o que faria ou o. O lorde de Cambrun podia ser atraente e estar acostumado a liderar seu clã, mas não mandava nela. Antes que pudesse retrucar, contudo, a porta se abriu e uma mulher apareceu trazendo uma bandeja com carnes, pão, queijo e frutas.

-   A senhorita já acordou - constatou a mulher, sorrindo para Isabella. - Algum ferimento


que necessite cuidados?

-   Não, Victoria - Edward virou-se para Isabella. - Talvez queira se banhar?

-   Gostaria muito! Mas não desejo trazer inmodo.

-   Não será incômodo nenhum - assegurou a recém-chegada. - A água para o banho já essendo aquecida. Agora deve comer bem, pois necessita de mais carne em volta dos ossos. - Victoria sorriu, simpática. - Tem certeza de que o machucados para serem cuidados?

-   Alguns arranes, talvez, mas um banho será suficiente para limpá-los - Isabella notou que Victoria não era como os dois homens, pois tinha os cabelos ruivos, e sua pele era corada e diferente do branco quase pálido deles.

Edward puxou uma pequena mesa para perto do leito, e Victoria depositou nela a bandeja. Jasper se ergueu e trouxe uma cadeira para si e outra para Edward. Isabella se sentou na beirada da cama, e Victoria passou a servir a refeição.

Enquanto observava a cena, Isabella teve outra vez a forte sensação de que havia algo enigmático naqueles senhores de beleza incomum e olhos estranhos. Ela ainda se perguntou se estariam relacionados a seu clã, mas era improvável, pois se assim fosse já teria ouvido falar deles.

Ao erguer o olhar para fitar o aposento, Isabella concluiu que se tratava do quarto de Edward, senhor do castelo; isso a incomodou e provocou suspeita. Entretanto, eles haviam salvado sua vida, e ela lhes devia a cortesia de ao menos pensar duas vezes antes de se lançar a conclusões prematuras.

Edward fez um gesto indicando a refeição, e Isabella começou a se alimentar. Sua comida era diferente da deles; e era bom que o fosse, pois os dois serviram-se de carne praticamente crua, e ela jamais suportara comer carne que não estivesse bem assada. De qualquer maneira, pessoas diferentes tinham gostos diferentes, e ela lembrou de uma tia que só comia vegetais crus.

-   Por que ia visitar sua prima? - perguntou Edward enquanto comiam.

-    Ela me convidou a visitá-la. Acabei de completar dezenove anos, e chegou a hora de conhecer o mundo fora dos muros de Dunsmuir e de ser apresentada aos senhores da corte.

-   Compreendo. A senhorita procura um marido, então?

-   Não procuro um marido. Mas chegou a hora de conhecer homens que não façam parte de minha família. Meu irmão, porém, deixou claro que devo procurar um casamento - finalizou Isabella, num súbito ataque de honestidade.

Edward teve de reprimir um sorriso ao notar a maneira irritada como Isabella se referira ao iro e à sua crença de que ela devia casar. O que a jovem acabava de contar era uma informação interessante, pois revelava que o era casada nem noiva e que sua família acreditava que o momento de casá-la chegara. Como ele era lorde e senhor de um feudo, suas chances de ser aceito pela família da jovem eram grandes. Os rumores a respeito de seu próprio clã seriam um problema, mas a maneira de vencer essa queso era consumar o casamento o mais rápido possível, antes que tais rumores chegassem aos ouvidos da família da noiva.

Edward suspirou. Apesar de ser um plano louco, ele já o havia aceitado. O iro da


senhorita desejava casá-la e, quanto a si próprio, era um lorde possuidor de terras o suficiente para vencer possíveis objeções. Entretanto, algo lhe dizia que a linda jovem era teimosa, e nada garantia que o aceitasse quando soubesse a verdade a seu respeito. Quase todos nas redondezas fugiam apavorados quando conheciam os verdadeiros fatos a respeito do clã dos Cullen. Como será que ela reagiria?

-    Estava delicioso - comentou Isabella quando a mulher retirou seu prato. - Obrigada. Agora, se me puder dizer onde devo me banhar?

-   Pode banhar-se aqui - disse Edward. - Apronte tudo para ela, Victoria.

-   Mas... aqui o é o seu quarto, senhor? - Isabella mostrou-se preocupada.

-   Sim - Edward ergueu-se da cadeira.

-   Então creio que eu deveria ser conduzida a um aposento para hóspedes.

-   É melhor que fique no aposento do senhor do castelo.

-    O que quer dizer com isso? - Isabella levantou-se também e empertigou as costas, irritada.

Jasper foi o próximo a levantar, e se aproximou de Edward com um sorriso. Isabella se surpreendeu ao notar seus dentes pontiagudos e afiados, como se algm os houvesse lixado para adquirirem tal forma.

-        Você deixa trabalharem os seus dentes? - perguntou ela, esquecendo momentaneamente a irritação. - Tenho um tio cujo dentista vem a nosso castelo para afiar seus dentes e lhes dar uma forma especial.

-   Não necessito de tais futilidades - respondeu Jasper, sorrindo ainda mais.

-   Você ficará em meu quarto - Edward interrompeu a conversa antes que o assunto fosse longe demais.

O comentário em tom imperativo fez Isabella esquecer os dentes de Jasper e tornar a se irritar.

Se que ele pensa que eu esquentarei seu leito em paga por ter salvo minha vida?






Jasper.

-   Sou a irmã do lorde de Dunsmuir!

-    Bom, muito bom - retrucou Edward, caminhando para a porta, seguido de perto por


-   O que quer dizer?

-   É melhor quando a noiva e o noivo compartilham a mesma posão social.

-   Noiva e noivo? Quem vai casar?



-   A senhorita se casará comigo - Edward respondeu com calma antes de partir.

Estupefata, Isabella fitou a porta enquanto era fechada à sua frente. Durante vários minutos ficou parada no mesmo lugar, perguntando a si própria se havia escutado direito as palavras de Edward. Foi tirada do estupor quando Victoria tornou a abrir a porta, trazendo uma grande jarra de água quente. Sem nada comentar, Isabella sentou-se na cama, e pouco depois Victoria ajudou-a a se despir e a conduziu para a tina de madeira num dos cantos do largposento.

Quando o banho terminou, Victoria providenciou uma longa camisola para Isabella, que, depois de vestida, pediu para ser levada a um quarto de hóspedes. A mulher, entretanto, afirmou que não seria necessário e a levou para deitar no enorme leito do lorde. Em seguida, apagou todas as velas. Agora, apenas o fogo da lareira iluminava o aposento. Depois disso, partiu.

Contrafeita, mas cansada, Isabella terminou por relaxar sob as cobertas quentes.


Afinal, lorde Cullen terá de me despertar se quiser me roubar a castidade; e uma vez desperta, saberei me defender. Esse foi seu último pensamento antes de resolver se entregar ao sono, agora bem-vindo.

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Oie meninas!
Para pergunta que me fizeram no post anterior. Os posts serão diarios. 
Espero que vocês gostem da adptação!
Teremos muitas mais!
Beijos e até amanhã!

2 comentários:

  1. A fanfic tá melhor acada dia, Edward já decidiu que vai casar adorei bjos..............

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  2. Ele simplesmente comunicou que irá se casar com ela. Rsrsrsrs
    Amando esse Edward.

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